Homenagem a nós idosos, Não nos faltam nestes tempos, Nossa rádio acolheu, Saudações e cumprimentos, Começo por saudar, A mais velhinha da família, Porque já tem cento e dois anos, A nossa tia Domicilia.
É uma idade bonita, Que tem a tia Domicilia, Muito querida em Sanhoanhe, Por sua neta e sua filha.
Temos a tia Moleirinha, No lugar da Caravela, Por ter um grupo de filhas lindas, Muitos beijinhos para ela.
Para o tio Manuel Sernadela, E também para a tia Aninhas, Por serem os pais do tio João, Envio saudações minhas.
Também tenho que falar, Dos pais do nosso presidente, Já muito mal estão passando, Seus filhos estão com eles sempre.
O senhor José Maria Moita, E a senhora dona Leontina, Todos os seus filhos lhe querem bem, É por todos nós muito querida.
Temos dois homens valentes, Que saúdo desta maneira, É o nosso grande tio Osvaldo, E o tio Daniel Pereira.
O tio Osvaldo ainda não é velho, Mas já não nos pode acompanhar, Grave doença o arrematou, Connosco já não pode andar.
O tio Daniel de Remondes, Com sua guitarra e sua poesia, Também tem estado doente, Já não tem tanta alegria.
O senhor presidente da junta de Soutelo, Que é o nosso tio Branco, Faz-nos poesias belas, De que nós gostamos tanto.
Temos a tia Lurdinha de Bragança, Grande poeta e grande escritora, Também tem estado doente, Que lhe valha Nossa Senhora.
A tia Adília e o tio Manuel Lopes, Da linda aldeia de Salsas, Também já estão meios velhotes, De saúde já têm faltas.
O tio Firmino Ginja, Lá está sozinho, que se ajeite, Eu também vivo sozinho, Assim como o tio Pereira Leite.
Também o tio Jaime das Alturas, Descontente com a sorte, Por Deus lhe levar a filha, Ó que mal empregada morte!
A tia Alzirinha de Vinhais, Brevemente a vamos ver, Por tanto nos trazer da C.E.E., Temos que lhe agradecer.
E a nossa tia Bernardete, Que não sabemos quantos tem, Já não deve ser muito nova, Que já não está passando bem.
Com setenta e oito anos, Temos o tio Teófilo de Mós, Setenta e oito também eu tenho, Um e o outro vivemos sós.
Também com setenta e um anos, Temos a tia Ilda de Vila Nova, Cantando sobre a primavera, É para nós uma linda rosa.
Também a tia Lurdinhas, A alguém deu muitos carinhos, Em troca do bem que fez, Semeou rosas, colheu espinhos.
A tia Glória da Piedade, Também já tem setenta e quatro anos, Seu marido tem oitenta e dois, Já tem que andar com duas canadianas.
Também a tia Emília, Com os seus cinquenta e cinco aninhos, Comendo da merenda do tio Lázaro, Cantou-nos o fado do soldadinho.
A tia Natevidade da Silva, É uma filha de encantar, Tem sua mãe com noventa e quatro anos, E não a deixa ir para um lar.
A tia Flora tem sessenta e nove, Setenta e seis tem o seu marido, Vivem no Pombal de Anciães, E cantou-nos o fado da tia Ana do moinho.
Por António da Conceição Bento |