Só queria ser andorinha, Ter asas para voar, Para ir voar contigo, Quando fosses emigrar.
À chegada do Outono, Pensas em emigrar, Mas deixas as tuas penas, No teu querido Portugal.
Tuas penas andorinha, Ainda se podem varrer, As que tenho no meu peito, Ninguém as consegue ver.
Tuas penas andorinha, Negras como a escuridão, Vou juntá-las às minhas, Que tenho no coração.
Num cantinho do meu peito, Elas estão escondidas, Como debaixo da terra, Está o ninho das formigas.
Tenho penas sobre penas, As penas da andorinha, Espero que um dia mais tarde, Ainda possas ser minha.
Nunca se perde a esperança, Nem a pudemos perder, Pela esperança, esperamos, Nem que seja até morrer.
Por Joaquim Martins
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